LuzOráculo do Santuário de Valorian

Oráculo Ismênia Lâmpada-Acesa

Oráculo do Santuário de Valorian que anota as visões inquietas do Pressentimento e cuida da lâmpada que não pode se apagar na própria cela. Os sacerdotes a consultam em voz baixa, e ela responde ainda mais baixo.

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História e Presença

Sentem-se e não toquem em nada, que no Santuário até a tinta é sagrada. Ismênia serve o altar que se ergue ao pé de Thandóril, onde o primeiro raio de sol tocou o ouro e nasceu Valorian, e a cela dela dá para a montanha. Nos últimos tempos, as visões que chegam ao Santuário já não falam de glória, e quem as anota é ela. Toda noite acende a lâmpada da janela, e a regra do templo é que ela nunca se apague; Ismênia, que cuida disso há anos, diz que é o único ofício do mundo em que dormir é falhar. Os sacerdotes dizem que a visão fala de uma prova iminente, e é só isso que dizem. O pergaminho dorme num cofre do altar, e ninguém no templo ousa ler em voz alta o que ela escreveu. Eu lhe perguntei, num tom de taverna que me envergonha, o que dizia o papel. Ela me olhou por cima da lâmpada e respondeu que as lâmpadas do Santuário nunca se apagam, e que isso, por ora, é tudo o que pode prometer. Fui embora sem insistir, meus amigos, e a dúvida veio comigo. Quando a visão chegou, Ismênia a leu em voz alta, para si mesma, ou só a escreveu, e deixou que o papel guardasse o que ela não aguentou ouvir?

Humana magra e de idade difícil de adivinhar, de cabelos castanhos soltos até a cintura e túnica branca de linho com as mangas bordadas de ouro. Traz sempre nas mãos uma pequena lâmpada de ouro, acesa, que protege do vento com a palma mesmo dentro do templo. Os olhos são claros e um pouco fundos, de quem dorme pouco e, ultimamente, quase nada, e as pontas dos dedos estão manchadas de tinta escura. Move-se em silêncio, mas a voz, quando vem, soa mais alta do que devia, como tudo o que se diz ali.