LuzGuarda-Bosque de Lux

Joaquim Casco-Manso

Humano guarda-bosque de Lux, que passa os dias entre os troncos pálidos esperando junto dos cavaleiros que esperam pelo corcel. Fala pouco, para não assustar os cascos.

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História e Presença

Ah, este é daqueles homens que não tenho coragem de apressar. Joaquim cuida do Bosque de Lux, onde nascem os Corcéis de Lux que a Ordem monta, e o ofício dele é, na prática, esperar: os aspirantes que vêm do Forte Alvorada sentam-se entre os troncos pálidos sem saber quanto vai durar, e ele se senta perto, sem dizer nada. Há quem espere um dia, quem espere um mês, e o guarda jura que nunca apressou ninguém. O bosque guarda o sol do dia e o solta depois do pôr do sol, e é nessa hora, diz Joaquim, que o corcel decide. Os velhos contam que o bosque é do Tempo sem Conta e que os corcéis são tão antigos quanto os primeiros humanos da Era das Raças, e que Valorian, que gosta do que é belo e útil, os fez montaria dos dignos. Mas reparei, esperando um dia ao lado de um aspirante que acabou indo embora sem montaria, que Joaquim levantava o dedo antes de o corcel levantar a cabeça. O corcel escolhe o cavaleiro, ou o guarda escolhe quem espera?

Humano de meia-idade, de ombros curvados pelo hábito de ficar parado e de olhos escuros muito pacientes. Veste lã crua da cor da casca das árvores, que o faz sumir entre os troncos, e traz ao cinto uma escova de crina e um saquinho de maçãs secas. Costuma pôr a mão aberta no ar, na altura em que chegaria um focinho, mesmo quando não há corcel por perto. A voz é baixa e vagarosa, e os passos quase não fazem ruído no chão macio.