Selvaine Hora-Cantada
Sereia Abissal que conduz os turnos de canto do Santuário da Membrana, a quinhentos metros de profundidade. Canta as horas do rito para que a vedação de Calisstra não fique sem ninguém que a lembre, mesmo agora que a deusa não responde.
Conexões do Mundo
Presença no Mundo
História e Presença
Entrem de cabeça baixa e esperem o fim do turno, que ninguém interrompe um canto aqui, nem o rei. Selvaine herdou o canto das horas de outra sacerdotisa, que o herdou de outra, e conta o rito como as placas de coral contam os mortos: um nome por vez, sem pressa e sem pular. Quando entrou para o Santuário, a água do salão ainda respondia ao canto com um arrepio, e foi esse arrepio que a fez ficar. Hoje ele não vem, e ela canta do mesmo jeito, porque o rito não depende de resposta, e diz isso com a firmeza de quem repetiu a frase muitas vezes. O que não repete em voz alta é o zumbido do fundo do salão, o que ninguém explicou: em dois anos, jura, ele desceu meio tom. Ela mede em tons como outros medem em palmos. Os sentinelas de Sal'Zaul descem de folga para pedir uma hora de canto, e ela nunca recusou, nem quando a hora era a de dormir. Perguntei se Calisstra ainda ouvia. Selvaine disse que não sabia, e que cantava como quem acende a luz na janela de uma casa que talvez esteja vazia: a luz, ao menos, continua sendo dela.
Sereia Abissal de pele azul-pálida e cabelos longos cor de tinta, que flutuam sem pressa em volta dos ombros. Os olhos são escuros e muito abertos, de quem vive onde a luz é pouca, e as mãos finas, calejadas na ponta dos dedos, trazem sempre um resto de pó de coral negro. Veste uma túnica de fibra de alga tingida de azul profundo e anda de cabeça baixa, parando de vez em quando para ouvir a água acima, como quem confere uma nota.
Loja do NPC
Outros Rostos da Região
Também presentes em Abssalia