
Aranha
insectoide
37 PV
Lv.4
Vale raso num canto afastado da ponta sul dos Campos de Auroraviva, longe da zona de guerra, onde a grama dourada não voltou como sempre volta. No lugar dela cresce uma grama cinza e imóvel. O vento passa e não faz onda, não há zumbido de inseto nem canto de ave, e a luz do fim da tarde chega ao vale e não acende nada.

Vale raso num canto afastado da ponta sul dos Campos de Auroraviva, longe da zona de guerra, onde a grama dourada não voltou como sempre volta. No lugar dela cresce uma grama cinza e imóvel. O vento passa e não faz onda, não há zumbido de inseto nem canto de ave, e a luz do fim da tarde chega ao vale e não acende nada.
Este eu escrevo com a pena mais curta. Em Radiantia a grama sempre voltou: voltou onde a batalha a arrancou, voltou onde a Fronteira a queimou, e os sacerdotes fizeram disso virtude. Aqui ninguém a arrancou e ninguém a queimou, e ela voltou cinza. O vale é do Pressentimento: não está em nenhum mapa da Longa Paz, e ninguém soube me dizer o dia em que o campo parou. A cinza da Fronteira de Cinzassol, ao sul, é cinza de guerra, quente, dourada, e a grama a cobre a cada primavera; a daqui é fria, sem brilho, e não cobre nada. Os sacerdotes de Valorian dizem que o campo descansa. Os fazendeiros não passam ali ao entardecer, e os Solbovinos dão a volta sem que ninguém os guie. Anotei o que vi e anotei o que não sei, que para um cronista é o pior dos pecados. Em Radiantia a grama sempre voltou; ninguém disse o que fazer quando ela volta diferente.
Resquícios de civilizações antigas com segredos ocultos.