ÁguaSinaleiro das Baleias de Marverde

Gaspar Fumaça-de-Maré

Pescador velho que acende, sobre o rochedo de Marverde, a fumaça que avisa o Porto Sylfaris de que as baleias chegaram. Só então começam os festivais, e ele garante que nunca atrasou um.

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História e Presença

Ah, este é o homem que o Porto Sylfaris espera sem saber que espera. Gaspar sobe ao rochedo de Marverde todo fim de ano, antes de o frio apertar, e fica de vigia até as baleias aparecerem na rota mais morna da costa. Quando elas chegam, ele queima alga seca e deixa a fumaça subir, e é essa fumaça, lida a léguas de distância, que abre os festivais do Porto. A regra de Thomelion ele cumpre sem que ninguém precise lembrar: colhe-se só o que a maré deixa, e a baleia não é colheita, é visita. Os pescadores dizem que a maré é o jeito de Thomelion respirar, e Gaspar acrescenta, sem sorrir, que ele respira mais fundo em noite de lua cheia. Uma vez, jura, acendeu a fumaça sem baleia nenhuma à vista, só por teimosia, e na manhã seguinte elas vieram. Ele diz que foi coincidência. Eu, que anoto tudo, fico pensando quem avisou quem.

Humano de pele curtida pelo sal e barba branca presa por uma concha, com os olhos apertados de quem passou a vida olhando o horizonte contra o sol. Veste um capote de lona encerada e traz sempre no bolso uma pederneira e um punhado de alga seca. Cheira a fumaça e a maré, e olha o mar de esguelha, como quem não quer que ele perceba. Fala pouco, em frases que terminam sempre na direção do mar.