Gunnhild Abraço-Largo
Feraxiana-Urso-Polar que conduz a Contagem do Abraço ao amanhecer, quando a aldeia inteira se abraça, um por um, até ninguém faltar. Quem volta da Garganta Congelada passa primeiro por ela, que decide se a pessoa já pode falar ou se precisa de mais um abraço.
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História e Presença
Fechem a porta devagar e abram os braços, que a xamã não conversa antes da conferência. Gunnhild conduz a Contagem do Abraço desde que herdou a corda, e a corda é a história da aldeia: um nó para cada família que saiu da marcha de três semanas depois do Inverno Comprido, por volta de 3100 A.C., e um nó de cor diferente para cada criança nascida desde então. Ao amanhecer ela abraça a aldeia inteira, e jura que o coração de cada um bate num compasso que só o abraço entrega: o de quem dormiu mal, o de quem escondeu a febre, o de quem não queria ser abraçado e foi mesmo assim. Quando um xamã volta da Garganta Congelada, é ela quem o recebe primeiro e decide se ele já pode falar ou se precisa de mais um abraço antes. Lá dentro, disse, o silêncio é tamanho que se ouve o próprio coração, e foi ali que aprendeu a diferença entre bater e bater bem. Perguntei o que ela ouve na Garganta que não ouve na aldeia. Respondeu que a aldeia só deixa ouvir quem está, e que o silêncio da Garganta é o único lugar onde ela consegue ouvir bem quem falta.
Ursa-polar de pelagem branco-amarelada e ombros largos como uma porta, com um manto de pele de foca que arrasta na neve. Traz ao pescoço uma corda de couro cheia de nós, e as patas enormes se abrem um pouco antes de qualquer conversa, como quem já está pronta para o abraço. Os olhos são pequenos e escuros e pousam no peito de quem chega antes de pousar no rosto.
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