Kael Ponta-Pronta
Feraxiano que ensina a colher só a ponta pronta para cair e vigia a entrada das grutas, onde o urso musgoso nunca aprendeu a cobrar de outro jeito. Quem tenta arrancar o cristal inteiro leva primeiro um sermão, e depois o cansaço.
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História e Presença
Cuidado onde pisam, que Kael escuta o chão. Os feraxianos descobriram as grutas na Era das Raças e a regra de colheita é tão antiga quanto elas: leva-se só a ponta, e só a que já está pronta para cair. Kael é quem ensina isso, com paciência de pedra e um martelo de madeira para quem insistir no contrário. O cristal vivo cresce no ritmo da Árvore Primordial, e ele jura que sente o compasso na palma da mão, uma batida longa, a muitos dias de caminhada dali. Ao lado das grutas, nas ruínas dos engenhos que Arcanópolis tentou armar, os cristais ainda crescem por dentro do latão, e Kael diz que é a rocha dando a última palavra. Ele guarda no bolso uma ponta que bate um tantinho fora do compasso das outras. Jura que é defeito do cristal. Nunca me deixou segurar.
Feraxiano de pelagem cinza-pedra manchada de musgo, com olhos esverdeados que brilham de leve no escuro. Usa uma luva de couro grossa na mão direita e leva à cintura um martelo de madeira e um saco de pano cheio de pontas de cristal. Pisa devagar e encosta a palma em cada cristal que passa, como quem confere um pulso. A voz é rouca, de quem passa o dia falando baixo para não acordar a pedra.
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