Mirrel Fio-Terra
Gnomo da Escuta que passa os dias na Estação anotando o silêncio que vem antes de cada abertura do arco. Jura que o arco é mudo, nunca surdo.
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Falem baixo e não encostem em nada de cobre. Mirrel entrou na Escuta ainda aprendiz da Torre Elemental e hoje decide, na Estação, quem fica no abrigo e quem sobe à plataforma quando o Raio começa a cair. A lousa dele tem duas colunas: na da esquerda anota quanto durou o silêncio antes de cada abertura; a da direita, que diz "o arco respondeu", nunca recebeu uma linha, e ele a deixa em branco de propósito. Escreve a Quimbel, que escuta do outro lado, no Pouso dos Portais, e manda as cartas por quem atravessa, sem esperar resposta: os dois se entendem melhor por lousa do que o arco com qualquer um. Diz que quem chama o arco de surdo é arcanjo com pressa. Perguntei o que faria no dia em que a coluna da direita se enchesse. Mirrel limpou os óculos e respondeu que compraria outra lousa.
Gnomo de pernas curtas e barba trançada com fio de cobre, de luvas grossas de borracha e óculos de lente escura contra o clarão. Leva às costas uma lousa amarrada com cordas e, na mão, um bastão de ferro com a ponta enrolada em fita. Quando o ar começa a chiar, ele para no meio da frase e fica de cabeça inclinada até o chiado passar.
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