
Aranha
insectoide
37 PV
Lv.4
Campo de cascos afundados no fundo raso do estreito, entre o Recife Pálido e a costa de Corrósia, com mastros de ferro inclinados, engrenagens do tamanho de casas e armaduras de escama presas entre as costelas dos barcos. Corais jovens crescem dentro das caldeiras, a ferrugem pinta a areia de laranja e peixes miúdos entram e saem pelas escotilhas. Cheiro de ferro molhado e de sal, o ranger lento do metal cedendo à correnteza e, de vez em quando, o tinir de uma peça que se solta.
Campo de cascos afundados no fundo raso do estreito, entre o Recife Pálido e a costa de Corrósia, com mastros de ferro inclinados, engrenagens do tamanho de casas e armaduras de escama presas entre as costelas dos barcos. Corais jovens crescem dentro das caldeiras, a ferrugem pinta a areia de laranja e peixes miúdos entram e saem pelas escotilhas. Cheiro de ferro molhado e de sal, o ranger lento do metal cedendo à correnteza e, de vez em quando, o tinir de uma peça que se solta.
Passem por cima dos mastros e nunca por dentro dos cascos, que o ferro daqui ainda corta quem desrespeita. O Cemitério de Frotas guarda o que sobrou da Guerra das Marés, que começou por volta de 1400 A.C., quando o veneno de Corrósia chegou ao mar, e parou na Grande Convocação, por volta de 60 A.C., sem vencedor e sem paz assinada. O estreito entre o Recife Pálido e a costa corrociana era a estrada das frotas, e foi aqui que muitas se encontraram, cada lado convencido de que vinha cobrar a conta. Os cascos negros de ferro, as engenhocas de engrenagem e corrente e as armaduras de escama dos tritões que saíram ao encontro dormem juntos, e repito o aviso do meu livro: ambos os lados têm sangue nas mãos. Os pescadores contam que uma dessas frotas seguiu daqui para as Maréguias, na única tentativa de forçar o Círculo que houve na Guerra das Marés, e que os redemoinhos a engoliram antes que um sentinela precisasse se mexer. Dizem também que as correntes devolvem ao estreito parte do que o Círculo engole: cada tempestade desenterra uma peça, e nunca se sabe de que lado era. É boato, e registro como boato. O Metal e a Água se ouvem, e aqui a conversa durou séculos: o mar come o ferro, e o ferro, enquanto dura, pinta o mar de ferrugem. É o único cemitério que conheço onde os dois lados continuam lado a lado, e nenhum assinou a paz.
Resquícios de civilizações antigas com segredos ocultos.