
Aranha
insectoide
37 PV
Lv.4
Dois pilares finos de nuvem-petrificada que sobem do chão de Aetherius e terminam em copas de nuvem, um a oeste de Solaryon, junto à floresta do centro-oeste, e outro no sudeste, perto de uns telhados baixos e a caminho da Beira dos Caídos. Mais altos que qualquer torre da ilha e estreitos demais para parecerem seguros, são o que restou das colunas de tempestade do Crepúsculo. Cheiro de chuva que não caiu, um zumbido grave que sobe pela pedra e um vento que muda de lado sem aviso.
Dois pilares finos de nuvem-petrificada que sobem do chão de Aetherius e terminam em copas de nuvem, um a oeste de Solaryon, junto à floresta do centro-oeste, e outro no sudeste, perto de uns telhados baixos e a caminho da Beira dos Caídos. Mais altos que qualquer torre da ilha e estreitos demais para parecerem seguros, são o que restou das colunas de tempestade do Crepúsculo. Cheiro de chuva que não caiu, um zumbido grave que sobe pela pedra e um vento que muda de lado sem aviso.
Olhem para cima e depois para o chão, que o que aconteceu aqui foi dos dois lados. No Ano 0, em poucas horas, os corrompidos subiram a Aetherius pelas tempestades que ligam o mar ao céu, e duas dessas colunas de vento ficaram cravadas na ilha, uma a oeste de Solaryon e outra no sudeste. Foi em volta delas que o cerco apertou. Os arcanjos desceram pelo meio da tempestade como estrelas cadentes, Theriel liderou o front com a luz do alvorecer, e as fadas teceram moral enquanto puderam. Ao fim do mesmo dia, quando a escuridão recuou, as tempestades não se desfizeram: pararam em pé e endureceram em pedra, e dizem os anjos que foi Theriel quem as mandou ficar. Os geógrafos de Radiantia gostam de chamar os pilares de cicatriz. Os anjos respondem que cicatriz é o que não fecha, e que a pedra daqui canta a nota do Ar como qualquer outra. Do pilar do oeste se vê Solaryon, e nela os bairros refeitos, de arquitetura um pouco diferente: o terço que a cidade perdeu naquele dia. Os moradores dizem que olhar para os pilares é um jeito de lembrar onde a cidade acaba. O perigo é prático. O vento das copas muda sem aviso e as nuvens do topo não seguram o pé, e mais de um curioso que tentou escalar voltou nos braços de um arcanjo, sem bronca, porque arcanjo aprendeu a descer com paciência. Uma vez por ano as Fadas dos Galhos de Cristal vêm ao pilar do oeste e riem ali, baixinho, o único lugar onde sabem rir baixinho. Perguntei por quê. Disseram que ainda dói, e que riso é o remédio que elas têm.
Resquícios de civilizações antigas com segredos ocultos.