
Aranha
insectoide
37 PV
Lv.4
Cânion de colunas altas de rocha vermelha na face oeste da Serra das Correntes Nobres, fora da vista de Domínium, com paredões lisos e nichos fundos como naves sem altar. O chão é de ferrugem solta e lascas de pedra, e as colunas, sem uma única rachadura, sobem até uma faixa estreita de céu. Cheiro de pedra fria e de ferro seco, nenhum vento, nenhum eco: o passo cai no chão e some. Em um ponto, riscando a ferrugem por uns palmos, corre um fio de cinza, fino como um cabelo.
Cânion de colunas altas de rocha vermelha na face oeste da Serra das Correntes Nobres, fora da vista de Domínium, com paredões lisos e nichos fundos como naves sem altar. O chão é de ferrugem solta e lascas de pedra, e as colunas, sem uma única rachadura, sobem até uma faixa estreita de céu. Cheiro de pedra fria e de ferro seco, nenhum vento, nenhum eco: o passo cai no chão e some. Em um ponto, riscando a ferrugem por uns palmos, corre um fio de cinza, fino como um cabelo.
Falem baixo, e não gritem para ver se há resposta: não há. Os antigos contam que, antes de Balamark, os penhascos de Corrósia cantavam com o vento e os vales de pedra ecoavam como catedrais, e a Catedral Muda é o canto da Serra onde esse eco calou. Não houve guerra nem ruína: as colunas estão inteiras, e mesmo assim o ferro batido aqui não soa, o grito não volta e a nota do Metal, que no resto de Corrósia enferruja onde devia brilhar, aqui calou por inteiro. Não é o lugar do sussurro que nasceu com o deus: aquele veio antes de haver lugar, e o que a terra guardou aqui foi o silêncio que ficou depois. Não há ritual, nem porta, nem marca de coisa trancada, por mais que mapa de taverna prometa o contrário. A única assinatura que se acha é um fio de cinza na ferrugem, discreto, que não leva a lugar nenhum. Os Rebeldes chamam o cânion de Último Eco, e não por saudade. Do outro lado da Serra, no Oásis da Canção-das-Pedras, a água ainda canta. Aqui, meus caros, nem o ferro responde.
Resquícios de civilizações antigas com segredos ocultos.