
Aranha
insectoide
37 PV
Lv.4
Restos de uma cidade de pedra rachada no planalto ao sul de Gorthamir, ao pé da escarpa ocre, com ruas que ainda seguem o traçado antigo e não levam a lugar nenhum. Nenhuma pedra tem inscrição e nenhuma porta tem verga. Cheiro de terra seca e pedra queimada, vento atravessando janelas sem moldura e o estalo de um cascalho que ninguém pisou.

Restos de uma cidade de pedra rachada no planalto ao sul de Gorthamir, ao pé da escarpa ocre, com ruas que ainda seguem o traçado antigo e não levam a lugar nenhum. Nenhuma pedra tem inscrição e nenhuma porta tem verga. Cheiro de terra seca e pedra queimada, vento atravessando janelas sem moldura e o estalo de um cascalho que ninguém pisou.
Ah, esta é a única ruína de Draxônia que não tem nome, e não é por falta de memória minha. Por volta de 2700 A.C., trezentos anos depois de Gorthamir virar cidade, havia aqui outra, grande e orgulhosa o bastante para se achar capital, e os clãs a destruíram por honra ou por vingança, que em Draxônia são a mesma razão em dias diferentes. Não ficou muro de pé. Os Escribas do Sangue, que moram nos subterrâneos de Gorthamir e guardam a única história escrita de Draxônia, fizeram com ela o que fazem com todo vencido: riscaram o nome dos rolos de couro, e o que não está no rolo, em Draxônia, não aconteceu. Os poucos que escaparam atravessaram o mar até Valedur, sem comida e sem abrigo, e levaram o nome na única forma que nenhum escriba alcança, que é a canção. Dizem lá que ainda se canta, baixo, uma melodia sem letra que veio com eles. Os orcs passam pelas ruínas sem olhar, e nenhum guia daqui sabe dizer como a cidade se chamava; eu perguntei a todos e anotei o silêncio. O nome foi riscado aqui e continua sendo cantado lá, do outro lado do mar, por quem nunca soube a quem ele pertencia.
Resquícios de civilizações antigas com segredos ocultos.