
Aranha
insectoide
37 PV
Lv.4
Bacia de sal branco no sudoeste de Spharadis, dentro de um anel baixo de cristas, com três poços escuros no fundo e pedras em pé espalhadas pela crosta, entre elas um relógio de sol muito antigo. O branco é liso a ponto de cegar e, perto de um dos poços, corre de ponta a ponta de uma laje um único fio de cinza, fino como um cabelo. Cheiro de sal seco e de nada, nenhum som, nenhum vento do lado de dentro e uma luz parada, igual em toda parte.
Bacia de sal branco no sudoeste de Spharadis, dentro de um anel baixo de cristas, com três poços escuros no fundo e pedras em pé espalhadas pela crosta, entre elas um relógio de sol muito antigo. O branco é liso a ponto de cegar e, perto de um dos poços, corre de ponta a ponta de uma laje um único fio de cinza, fino como um cabelo. Cheiro de sal seco e de nada, nenhum som, nenhum vento do lado de dentro e uma luz parada, igual em toda parte.
Parem na crista e escutem o que o vento sabe: ele não entra. A Salina do Meio-Dia ocupa a bacia branca do sudoeste, dentro de um anel baixo de cristas, e foi aqui, dizem os que anotam as coisas do deserto, que o vento nas dunas começou a sussurrar diferente, nos Sussurros do Vazio, entre 300 e 60 A.C., depois da Era Divina. Houve ali uma tentativa de leitura, e não um ritual: ninguém abriu nada nem prometeu nada, só quiseram ler. Ler o quê, ninguém diz, e quem diz que sabe está inventando. O vento dá a volta e para na borda do anel. Lá dentro as pegadas não ficam, a água dos poços não encrespa e o relógio de sol não faz sombra ao meio-dia. A única marca de que ali houve outra coisa é um fio de cinza no branco, e é só o que se pode dizer dele sem inventar. Os três poços não são o Oásis de Li'Thaen, por mais que o viajante sedento jure que sim. Os xamãs dão à salina um nome que eu sei e não escrevo aqui, que nome também é coisa que se guarda. Alguns desceram. Os que voltaram contam pouco, e nenhum conta a mesma coisa. Quem viaja pelo sudoeste dá a volta na bacia, e ninguém precisou mandar. Ao norte, com o sol a pino, brilha o Campo de Vidro Negro, e é a única vez em que o brilho de lá parece vizinho de alguma coisa. Fiquei na crista e não desci. O vento deu a volta, meus caros. Quem sou eu para entrar onde o vento não entra?
Resquícios de civilizações antigas com segredos ocultos.