
Aranha
insectoide
37 PV
Lv.4
Restos de um acampamento de engenheiros e de uma barragem de pedra na margem verdantiana do Eldavéus, no leste, defronte da boca do canal que cruza as Colinas Verdejantes. Os pilares estão de pé, mas nada ali segura mais nada. Cheiro de pedra molhada e capim alto, o rio passando manso a poucos passos da obra e um silêncio de canteiro que parou no meio do dia.

Restos de um acampamento de engenheiros e de uma barragem de pedra na margem verdantiana do Eldavéus, no leste, defronte da boca do canal que cruza as Colinas Verdejantes. Os pilares estão de pé, mas nada ali segura mais nada. Cheiro de pedra molhada e capim alto, o rio passando manso a poucos passos da obra e um silêncio de canteiro que parou no meio do dia.
Esta é a ruína de uma obra que falhou em três dias, e conto com carinho, porque ninguém a derrubou. Por volta de 1880 A.C., poucos anos depois da primeira investida de Draxônia na Garganta, Valorian quis desviar o Eldavéus para alagar um campo de batalha, e os engenheiros de Radiantia, com magia radiante e muita pressa, abriram em três semanas um canal de trinta quilômetros pelas Colinas Verdejantes. Do lado de cá do rio ficou o acampamento deles, com os cabrestantes, as escoras e a barragem de pedra que ia fechar o leito. Pelo que contam, ninguém lembrou de pedir licença ao Conselho Verde, e os tratados trataram de lembrar depois. O rio voltou ao curso em três dias, sem que ninguém desfizesse feitiço nenhum, e a barragem ficou de pé, segurando nada. Thomelion não disse uma palavra; os sacerdotes de Radiantia anotaram só que o rio disse não. Os feraxianos nunca mexeram nas ruínas, e as crianças vêm aprender ali, de graça, que há coisa que nem deus consegue mandar. Quando a cheia chega, o Eldavéus passa rente à barragem sem encostar, como quem desvia de um conhecido que lhe deve dinheiro.
Resquícios de civilizações antigas com segredos ocultos.