
Aranha
insectoide
37 PV
Lv.4
Restos de engenhos de latão e cristal no pé sul das Montanhas de Ferroselva, a poucos passos das Grutas de Cristal Vivo. Armações altas e tortas, cobertas de musgo e atravessadas por veios de rocha que cresceram por dentro delas. Cheiro de metal frio e pedra molhada, gotas batendo no latão como um relógio quebrado e, de vez em quando, o estalo de um cristal crescendo.

Restos de engenhos de latão e cristal no pé sul das Montanhas de Ferroselva, a poucos passos das Grutas de Cristal Vivo. Armações altas e tortas, cobertas de musgo e atravessadas por veios de rocha que cresceram por dentro delas. Cheiro de metal frio e pedra molhada, gotas batendo no latão como um relógio quebrado e, de vez em quando, o estalo de um cristal crescendo.
Olhem, mas não toquem, que o latão ainda lembra. Por volta de 1400 A.C., quando Arcanópolis decidiu que a magia de Verdântia era uma mina à espera de picareta, o primeiro lugar onde armou os engenhos foi aqui, no pé de Ferroselva, antes de tentar as florestas. Eram máquinas bonitas, de latão, lentes de cristal e engrenagens do tamanho de carroça, feitas para sugar o pulso dos veios minerais. Funcionaram por pouco tempo. Depois os cristais vivos, que batem no compasso da Árvore Primordial, simplesmente pararam de obedecer: a rocha, que não tem boca nem ouvido, entendeu a intenção e fechou a porta. Os arcanopolitas apertaram, puxaram, trocaram peça por peça, e nada, até desistirem e irem tentar as florestas, onde as coisas deram muito mais certo para eles e muito pior para todos. As máquinas ficaram. Os veios cresceram por dentro delas, devagar, e hoje há engrenagem cravada em cristal como osso em carne, a um passo das Grutas de Cristal Vivo. Os feraxianos não recolhem o latão, e não conheço ladrão que tenha voltado de lá com mais do que um resfriado. A montanha não lutou, meus amigos. Só esperou que a máquina cansasse.
Resquícios de civilizações antigas com segredos ocultos.