Maruk Meio-Corno
Minotauro ex-gladiador que cuida das vigas da vila e prega cada corno novo na porta do dono, com a data riscada no pino. Ensina a quem chega que a porta fica aberta e que a liberdade, em Draxônia, se paga à vista.
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Curvem-se um pouco, que a viga é baixa. Maruk lutou onze anos em Fúria e em Voraz, e em nenhuma das duas lhe disseram quantas lutas faltavam, que é o jeito draxoniano de manter um gladiador obediente. Quando ganhou a liberdade, quebrou o corno na pedra da arena, como manda o costume, e veio morar na vila, onde virou o guardião das vigas: é ele quem prega cada corno novo na porta do dono, com o martelo curto e a data riscada no pino, e quem confere de manhã se todos ainda estão firmes. A regra dele é uma só, a que a vila inteira repete: a porta fica aberta. Na viga da porta dele há dois cornos. Um é o dele. O outro, mais comprido e rachado, não é de ninguém que more aqui. Maruk nunca disse de quem é, e os mais velhos não perguntam. Anotei que ele passa a mão nele antes de abrir a porta toda manhã. A pergunta que fica é quanto custa a liberdade de um quando o preço de outro ficou na arena.
Minotauro de pelo castanho, grisalho no focinho, com o corno direito inteiro e o esquerdo quebrado rente à base, protegido por uma braçadeira de latão polido. Veste um colete de couro cheio de bolsos de pregos e leva um martelo curto sempre à mão. Anda sem pressa, de cabeça baixa, como quem aprendeu a passar por portas pequenas, e para diante de cada uma como quem confere um recibo.
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