Rúnka Pausa-Longa
Lobisomem de corpo único, lupino e de postura humana, que abre o uivo do pôr do sol no Campo dos Uivos e conta a pausa em que a Alcateia espera a resposta de Isgryd. É ela quem escuta primeiro o tom das Muralhas e o passa adiante, e dela o aviso corre para a Vigia da Fenda e para Frostspire.
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Baixem as orelhas, que o Campo vai uivar e a Alfa abre o canto. Rúnka abre o uivo do pôr do sol porque tem o fôlego mais longo da Alcateia, e o canto passa dela de garganta em garganta até cobrir o campo inteiro. No fim há a pausa em que a Alcateia espera a resposta de Isgryd, e Rúnka a conta em respirações: espera até o último filhote cansar de esperar e conta mais uma. Nunca encerra a pausa sozinha. Quem a encerra é o vento, o paredão ou um filhote que não aguentou, e ela diz que está bom assim. Escuta o tom das Muralhas desde o berço e passa o aviso adiante antes de qualquer mensageiro calçar as botas. Na cerca voltada para a fenda estão os tufos cinza e opacos, um para cada criatura que subiu e não passou, e é ela quem os prega. Mas guarda no bolso o tufo de um lobo que conheceu de filhote, e há anos não consegue pregá-lo. Perguntei se Isgryd responde. Ela disse que em certos anos o paredão estala, e que nunca perguntou se foi resposta, porque teme que a resposta fosse não.
Lobisomem alta e magra, de pelagem prateada nas costas e branca no peito, com olhos que acendem como lua cheia nas noites de aurora. Tem corpo único, lupino, de postura humana, e as orelhas giram para o paredão antes de a cabeça se mexer. Veste uma capa curta de pele de foca presa por um osso polido, com as garras aparadas rente, e conversa sempre de frente para a cerca, sem nunca dar as costas ao Abismo.
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