ArComandante da Guarda do Marco

Valdrael Caderno-Aberto

Arcanjo que comanda a guarda do Marco dos Portais e mantém o caderno das vezes em que o terceiro arco abriu sozinho. Entrega à Muralha quem chega pelos arcos e, quando ela recusa, leva a pessoa de volta ao mesmo arco, sem pressa e sem escândalo.

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História e Presença

Cheguem pelo arco certo e esperem a Muralha, que o comandante não conversa com quem ainda está sendo pesado. Valdrael trata os três arcos como três hóspedes: os dois de Radiantia, pontuais e educados, e o de Arcanópolis, que chega e sai quando quer. É dele o caderno do arco rebelde, já no quarto volume, onde cada vez que o arco abriu sozinho tem dia, hora e a cara de quem estava de plantão. Nunca escreveu a palavra defeito: a primeira página diz só que o arco ainda não aprendeu, e os arcanjos que o substituem são proibidos de corrigir. Quando a Muralha recusa alguém, é ele quem leva o recusado de volta, sem castigo, às vezes com um pão do Pouso embrulhado, porque quem foi pesado e não passou já sofreu a conta. À noite lê em voz alta para o terceiro arco o que anotou no dia, os arcanjos jovens fingem que acreditam, e os velhos fingem que não percebem que também acreditam. Perguntei se o caderno chegaria ao fim. Valdrael disse que o caderno tem todo o tempo do mundo, e que só o último volume será escrito por outra mão.

Arcanjo alto, de asas largas de energia dourada dobradas rente às costas e armadura de placas brancas sem um arranhão, porque diz que armadura riscada é armadura que errou. Traz à cintura um caderno de capa de pedra clara preso por uma corrente fina e, no lugar da espada, uma pena de vento. Fala baixo, em frases completas, com o olhar de quem espera a resposta até o fim.