NaturezaZeladora da Clareira das Árvores-Coração

Ysmera Fio-e-Pedra

Dríade que cuida da Clareira das Árvores-Coração, ata o fio e escreve o nome na pedra de cada árvore nova, e zela também pelas que ficaram sem dona. Fala pouco, e só depois de a árvore ter falado.

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História e Presença

Descalcem-se, que Ysmera não fala com quem pisa duro. Ela cuida da clareira desde que a Árvore Coração dela fincou raiz aqui, e o ofício é simples e interminável: quando uma dríade chega com a semente que pediu à Árvore Primordial, Ysmera cava com ela, ata um fio, escreve o nome numa pedra e fica de guarda na primeira noite, porque é nela que a árvore decide se vai ou não ser sua. As árvores que perderam a dona ela não deixa sozinhas: troca o fio todo ano, lê o nome na pedra em voz alta e conta a elas o que passou nas copas. Entre as árvores há uma que pertence a uma herborista do cais, que vem visitá-la todo mês, e Ysmera diz que a árvore aprendeu a esperar, e que isso, em árvore, é saudade. Thomelion, dizem, passa por aqui de vez em quando, e Ysmera nunca conta quando. Perguntei a quem ela ata o fio quando a árvore não tem mais dona. Ela respondeu que ainda ata, e que não sabe para quem, mas sabe que alguém sente.

Dríade de pele cor de casca escura e cabelos que são folhas largas de samambaia, mudando de verde conforme a luz. Anda descalça e carrega uma bolsa de fios coloridos, um carvão para escrever nas pedras e um pano úmido para limpá-las. Os olhos têm o âmbar morno da resina e pousam nas árvores antes de pousar nas pessoas. Quando alguém chega, ela ergue a mão pedindo silêncio, não por rispidez, e sim para que a clareira termine de dizer olá.