
Bandido
humanoide
46 PV
Lv.5
Braço de mar aberto entre a Praia da Esperança, no extremo sul de Corrósia, e o Refúgio de Margran, com ondas curtas, correntes que viram sem aviso e nenhuma ilha onde descansar. Num lado, penhascos escuros e fogueiras de pescadores; no outro, quando há, uma luz pequena no alto da colina de Margran. Cheiro de sal e de alcatrão, o bater seco de casco contra onda e, nas noites sem lua, o silêncio de quem rema sem falar.
Braço de mar aberto entre a Praia da Esperança, no extremo sul de Corrósia, e o Refúgio de Margran, com ondas curtas, correntes que viram sem aviso e nenhuma ilha onde descansar. Num lado, penhascos escuros e fogueiras de pescadores; no outro, quando há, uma luz pequena no alto da colina de Margran. Cheiro de sal e de alcatrão, o bater seco de casco contra onda e, nas noites sem lua, o silêncio de quem rema sem falar.
Remem sem falar e não acendam luz, que o mar aqui ouve e a costa também. A Travessia da Esperança é o braço de mar entre a Praia da Esperança, nome que os escravos de Corrósia deram ao Porto Degradado, e o Refúgio de Margran, e por ele passou toda a gente que Margran tem. Por volta de 1790 D.C., vinte e três fugitivos atravessaram numa jangada improvisada, numa noite sem lua, e doze chegaram. Os onze que ficaram no fundo não têm nome na lista dos fundadores, mas têm lugar na primeira prece de cada ano, dizem em Margran. A rota passa rente ao Cemitério de Frotas, onde o ferro rasga o casco, e depois pelo Recife Pálido, onde o lodo o encalha, e por isso quem atravessa o faz de noite e com quem conhece o rumo. Hoje esse alguém costuma ser Zerra Maré-Torta, que sai da Enseada dos Renegados, cobra antes de embarcar e nunca pergunta o nome, só o preço. Quem embarca leva ao pescoço um elo partido tirado das correntes do Muro dos Elos Partidos, acima da praia, e do outro lado ninguém pergunta o que é. Nos últimos cinquenta anos, entre trezentas e quinhentas pessoas tentaram, e Corrósia, que poderia vigiar o estreito, não vigia; o porquê é debate de taverna. O mar não pede nome na passagem. Corrósia pedia, e foi por isso que eles fugiram.
Terreno que o governante da região pode conceder a uma aliança, para erguer a sua fortaleza.