
Rato
besta
9 PV
Lv.1
Charco escuro no piso sudeste do vale de Arcanópolis, onde os três rios, já juntos, escorrem para a Fenda de Sombrefenda. Poças rasas de água grossa, sucata de oficina meio afundada no lodo e passarelas de tábua remendadas. Cheiro de metal oxidado e de óleo velho, o estalo de faíscas que pulam de poça em poça e uma neblina baixa que nunca sai do chão.
Charco escuro no piso sudeste do vale de Arcanópolis, onde os três rios, já juntos, escorrem para a Fenda de Sombrefenda. Poças rasas de água grossa, sucata de oficina meio afundada no lodo e passarelas de tábua remendadas. Cheiro de metal oxidado e de óleo velho, o estalo de faíscas que pulam de poça em poça e uma neblina baixa que nunca sai do chão.
Não molhem as botas nas poças que brilham, e não perguntem por quê. O Charco das Borras é o que sobrou de dois séculos de Dreno e de oficina: a escória das lâmpadas descartadas, o óleo de runa e a limalha de tudo o que se acendeu na Cidade Alta e foi lavado até aqui, escorrendo dos Alicerces e dos canais da Cidadela até o piso do vale, antes de cair na Fenda e seguir para o Porto de Sombrefenda. Por isso as faíscas que caem nas poças não se apagam: o Raio velho ainda não aprendeu a morrer. Tem gente que jura que aquilo é coisa da Entidade Oculta, e a cada tempestade o boato engorda. Não é. É sujeira de mortais, meus caros, feita pelo mesmo conforto que acende as ruas de cima, e é isso que a torna tão humana. A Cidade Alta não olha para baixo, os Alicerces olham mais do que gostariam, e o Charco guarda a conta dos dois.
Área alagadiça com criaturas e plantas venenosas.