
Rato
besta
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Lv.1
Clareira redonda no interior norte de Verdântia, entre o vale central e as encostas de Ferroselva, onde o canto parou numa estação e nunca mais voltou. A grama é verde, as flores abrem, mas nenhum pássaro pousa. Cheiro de capim morno, ar parado e um pó cinza muito fino nas pedras da borda, que o vento não leva. O silêncio aqui não é de lugar deserto: é de lugar que escuta.

Clareira redonda no interior norte de Verdântia, entre o vale central e as encostas de Ferroselva, onde o canto parou numa estação e nunca mais voltou. A grama é verde, as flores abrem, mas nenhum pássaro pousa. Cheiro de capim morno, ar parado e um pó cinza muito fino nas pedras da borda, que o vento não leva. O silêncio aqui não é de lugar deserto: é de lugar que escuta.
Esta eu conto com o pé atrás, então baixem a voz. Por volta de 1950 D.C., no Pressentimento, meio século atrás, o que para uma floresta é ontem, a clareira parou de cantar. Não foi de uma vez: os druidas contam que o canto foi ficando mais curto, noite após noite, até que numa manhã de primavera ninguém ouviu mais nada. Os pássaros não fugiram, simplesmente não voltaram. A grama cresce, o riacho corre, as flores abrem, e tudo isso sem som que valha o nome. Os druidas procuraram pegada, fogo, veneno e magia, e não acharam nada. Levaram o assunto à Árvore Primordial, e ela, que guarda a memória de tudo que importou, não mostrou nada: nem o canto que a clareira tinha, nem o momento em que deixou de ter. Desde então o Conselho Verde mantém ali uma vigília, dois druidas por estação, que ouvem, anotam e voltam, e todos trazem a mesma frase: continua calada. Eu fui. Fiquei uma tarde inteira, eu, que não calo nem dormindo, e não foi por educação.
Área de floresta densa com vida selvagem abundante.