
Rato
besta
9 PV
Lv.1
A Ínsula Sombria é a mais ao sul das quatro Ilhas Veladas, e a mais deliberadamente hostil à presença de visitantes. A ilha em si não é grande — talvez três quilômetros de extensão —, mas o terreno é um pesadelo de crateras sobrepostas, como se meteoros tivessem impactado o mesmo ponto dezenas de vezes ao longo de eras. Entre as crateras, fendas se abrem no solo de rocha escura, algumas largas o suficiente para passar uma pessoa, outras apenas para que o som passe — e sons saem delas. Não o sopro do vento, mas vozes. Palavras em línguas que os estudiosos identificam como pertencentes a civilizações que não constam em nenhum registro histórico conhecido. A vegetação da ilha é esparsa e estranha: plantas de folhas cinza-metálicas que não dobram com o vento, como se cada uma estivesse olhando fixamente em uma direção específica, sem desviar. A névoa que cobre permanentemente a ilha não é névoa de umidade — tem uma consistência levemente densa demais, e objetos atirados dentro dela demoram uma fração de segundo a mais para aterrissar do que deveriam. Nas crateras mais profundas, estruturas de pedra negra emergem do fundo — arcos, colunas, bases de algo que existia antes e que foi destruído ou desceu abaixo do solo.

A Ínsula Sombria é a mais ao sul das quatro Ilhas Veladas, e a mais deliberadamente hostil à presença de visitantes. A ilha em si não é grande — talvez três quilômetros de extensão —, mas o terreno é um pesadelo de crateras sobrepostas, como se meteoros tivessem impactado o mesmo ponto dezenas de vezes ao longo de eras. Entre as crateras, fendas se abrem no solo de rocha escura, algumas largas o suficiente para passar uma pessoa, outras apenas para que o som passe — e sons saem delas. Não o sopro do vento, mas vozes. Palavras em línguas que os estudiosos identificam como pertencentes a civilizações que não constam em nenhum registro histórico conhecido. A vegetação da ilha é esparsa e estranha: plantas de folhas cinza-metálicas que não dobram com o vento, como se cada uma estivesse olhando fixamente em uma direção específica, sem desviar. A névoa que cobre permanentemente a ilha não é névoa de umidade — tem uma consistência levemente densa demais, e objetos atirados dentro dela demoram uma fração de segundo a mais para aterrissar do que deveriam. Nas crateras mais profundas, estruturas de pedra negra emergem do fundo — arcos, colunas, bases de algo que existia antes e que foi destruído ou desceu abaixo do solo.
Nenhum explorador retornou da Ínsula Sombria com um mapa completo. Os que voltaram apresentam relatos que se contradizem mesmo entre expedições do mesmo grupo — dois membros da mesma equipe descrevem a mesma viagem de formas incompatíveis, como se tivessem visitado ilhas diferentes. O que todos concordam é que existem entradas para baixo: túneis que descem, câmaras que se conectam em geometrias impossíveis e, em algum ponto abaixo da superfície, um lugar que os visitantes descrevem vagamente como "mais real que o resto" — um espaço onde o ar é diferente, onde a mente parece processar as coisas com uma clareza estranha, e do qual é muito difícil querer sair. Calisstra nunca se pronunciou sobre a Ínsula Sombria. Quando perguntada por seus sacerdotes, a deusa simplesmente muda o assunto — o equivalente divino de desviar o olhar. A crônica mais repetida entre os estudiosos de Abssalia diz que a ilha vem de antes dos Doze, talvez um canto que Júpiter e Plutão não procuraram e deixaram esquecido; os sacerdotes não confirmam. Na mais funda das crateras, quem chega lá vê um fio de cinza no chão, e é justamente ali que as vozes calam.
Ilha isolada com ecossistema único.