
Rato
besta
9 PV
Lv.1
O Espelho de Iskarym é um lago congelado de dois quilômetros de diâmetro no sudeste de Glacialand, em uma depressão natural rodeada de colinas de gelo que protegem a superfície do vento. Essa proteção do vento é o que torna o gelo do Espelho diferente de todo o gelo de Glacialand: sem o movimento constante do ar, a superfície congelou em camadas absolutamente planas, sem ondulações, sem bolhas, sem impurezas visíveis — uma transparência que permite ver o leito do lago a trinta metros de profundidade como se a água ainda estivesse lá. Nas noites de céu limpo, a superfície reflete as estrelas com tal fidelidade que visitantes relatam desorientação sobre qual é o céu real e qual é o reflexo. O gelo não está morto: tem fraturas internas em padrões que mudam lentamente ao longo de dias e semanas, como se o lago ainda estivesse se movendo internamente de formas que a superfície congelada não transmite. Os Xamãs de Glacialand que meditam no Espelho relatam que as fraturas internas às vezes formam imagens — não arbitrárias, mas específicas, reconhecíveis. Imagens de eventos passados ou futuros que o lago está, à sua maneira, comunicando. E há uma estrela no reflexo que o céu não tem: ninguém consegue olhá-la por muito tempo, e os xamãs preferem não lhe dar nome.

O Espelho de Iskarym é um lago congelado de dois quilômetros de diâmetro no sudeste de Glacialand, em uma depressão natural rodeada de colinas de gelo que protegem a superfície do vento. Essa proteção do vento é o que torna o gelo do Espelho diferente de todo o gelo de Glacialand: sem o movimento constante do ar, a superfície congelou em camadas absolutamente planas, sem ondulações, sem bolhas, sem impurezas visíveis — uma transparência que permite ver o leito do lago a trinta metros de profundidade como se a água ainda estivesse lá. Nas noites de céu limpo, a superfície reflete as estrelas com tal fidelidade que visitantes relatam desorientação sobre qual é o céu real e qual é o reflexo. O gelo não está morto: tem fraturas internas em padrões que mudam lentamente ao longo de dias e semanas, como se o lago ainda estivesse se movendo internamente de formas que a superfície congelada não transmite. Os Xamãs de Glacialand que meditam no Espelho relatam que as fraturas internas às vezes formam imagens — não arbitrárias, mas específicas, reconhecíveis. Imagens de eventos passados ou futuros que o lago está, à sua maneira, comunicando. E há uma estrela no reflexo que o céu não tem: ninguém consegue olhá-la por muito tempo, e os xamãs preferem não lhe dar nome.
O Espelho de Iskarym existe há mais tempo do que Glacialand como civilização organizada. Os primeiros Gigantes de Gelo que despertaram na região encontraram o lago já congelado e já transparente — e já com a qualidade de mostrar coisas que não estavam à superfície. A denominação "Olho Adormecido" é a mais antiga: os primeiros registros dos Gigantes descrevem o lago como "o olho de algo que veio antes de nós e que dorme mas não morreu". A identidade desse "algo" nunca foi determinada, embora várias teorias existam. A mais inquietante, apresentada por um estudioso de Arcanópolis que visitou o lago há cerca de trezentos anos, é que o lago guarda a memória de uma entidade que habitou o mundo antes dos primordiais. Os xamãs de Glacialand discordam dele com educação: o que o lago lembra, dizem, é o tempo em que Júpiter e Plutão ainda brincavam de esconde-esconde no escuro, e o estudioso viu uma entidade onde havia um jogo. Sobek Chronos visitou o Espelho de Iskarym e saiu mais quieto do que entrou, segundo o relato dos Gigantes que o acompanharam até a borda. O deus do tempo, que observa tudo e registra tudo, não quis dizer o que viu. A única coisa que disse, ao sair, foi: "Mais antigo que eu pensei". O que Sobek Chronos considere antigo é uma escala de tempo que nenhum mortal consegue adequadamente imaginar.
Corpo de água com criaturas aquáticas e recursos únicos.